Dependendo do foco e daquilo que pretende ser dito, as repetições podem funcionar como uma introdução


O que é anáfora?

A anáfora, assim como o pleonasmo e o hipérbato, está enquadrada como figura de sintaxe pois lida diretamente com a construção do texto. A influência desta categoria de recursos textuais altera significativa a forma pela qual as palavras são organizadas e dispostas no enunciado.

Esta figura de linguagem consiste em nada mais que repetir intencionalmente uma palavra ou expressão no início de uma frase. Seu uso geralmente está relacionado a um fator estético e, por conta disso, é possível observarmos uma grande ocorrência em obras de literatura, poesia e também na música popular.


Exemplos de anáfora

Geralmente, associa-se a presença desta repetição à intenção de realçar aquilo que é dito posteriormente, criando uma espécie de “rito” no som e na ordem dos vocábulos, que são sempre precidos por uma mesma intervenção. Outro efeito possível se encontra na mudança deste padrão, que quando acontece, chama muito a atenção dos leitores.

Exemplo 1

“Depois o areal extenso…
Depois o oceano de pó…
Depois no horizonte imenso…”
– Castro Alves

Os versos acima demonstram uma clássica aparição desta figura. Com o “depois” sendo exaustivamente repetido no início de cada verso, o leitor tende a criar uma percepção rítimica que certamente evidenciará aquilo que se sucede.

Exemplo 2

“Não sei o que quero, não sei o que penso, não sei o que faço…mas sei o que sinto!”

O autor, ao fazer uso da anáfora em “não sei” primeiramente enfatiza uma sensação momentânea, deixando claro o quanto ele está perdido em relação a tais coisas. Entretanto, obtemos o efeito contrário no fim, quando ocorre uma substituição. Desta forma, o destaque todo recai sobre aquilo que é sabido e não o oposto disso.

Exemplo 3

“Até quando você vai levando porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?”
– Gabriel, O Pensador

No exemplo acima a expressão recorrente – “até quando” – serve como base para formular as diferentes perguntas realizadas em cada verso. Ela se torna um eco e ocupa parte central nos questionamentos.

Exemplo 4

“Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha (…)”
– Manuel Bandeira

O caso deste poema se assemelha ao exemplo anterior, mas gera um outro resultado, por focar principalmente nas características atribuídas à estrela, fazendo com que ela fique cada vez mais única.

Exemplo 5

“Conheço Maria, conheço João, conheço Ana e adoraria conhecer você.”

O enunciado poderia muito bem ter utilizado apenas um “conheço” para comunicar a informação desejada. A escolha pela intensa repetição se deve ao efeito isso dá à parte final da frase.


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Anáfora