A expressividade pode ser utilizada tanto para tratar das emoções boas quanto das ruins, dando-lhes força e destaque.

O que é apóstrofe?

A apóstrofe é um recurso de linguagem que se enquadra na categoria das figuras de pensamentos, bem como o paradoxo e a gradação. Este tipo é responsável por gerar alterações no nível da compreensão semântica do texto, alterando completamente o sentido daquilo que está sendo dito ou escrito.

Esta figura de linguagem ocorre quando uma personalidade, seja ela real ou fictícia, assim como um objeto ou entidade, é evocada no enunciado. Seu efeito mais imediato é o da expressão, que se intensifica logo após a sua inclusão na frase. Desta forma, ela acaba funcionando como uma evocação de algo ou de alguém, ao passo que, durante a análise sintática, é tratada como um vocativo. Por conta disso, sua utilização geralmente se dá entre virgulas, gerando uma cisão na oração, de modo que o leitor sempre pausa para ler este nome ou título, destacando-o também sonoramente.

Exemplos de apóstrofe

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Exemplo 1

“Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres.”
– Vinicius de Moraes

O trecho acima se assemelha a uma reza, pois, a partir da inserção da figura de linguagem, o eu-lírico parece se dirigir diretamente a Deus, tratando-o como um interlocutor imediato e presente.

Exemplo 2

“Não quero saber, ó Maria, dos teus problemas maiores.”

Neste exemplo, o nome evocado – Maria – vem acompanhado da interjeição “ó”, que auxilia ainda mais a ressaltar o valor de expressividade em questão. O autor se vale do recurso como uma maneira de dramatizar o que é dito, chamando mais atenção para a sua fala.

Exemplo 3

“Oh Madalena, o meu peito percebeu.”
– Ivan Lins

Esta parte da canção se vale de uma apóstrofe para destacar a importância que recai sobre a mulher em questão. Ao chamá-la desta forma, o enunciador atrai destaque para aquilo que será dito em sequência.

Exemplo 4

“É, morena, tá tudo bem.”
– Los Hermanos

Embora não traga a mesma expressividade das citações anteriores, esta oração exemplifica bem uma evocação. O compositor utilizou a técnica como uma forma de trazer a interlocutora para dentro da música, como se falasse diretamente com ela.

Exemplo 5

“Povo brasileiro, quando eu for eleito, prometo melhorar a saúde e a educação.”

O discurso acima também contém uma marca apostrófica. Ao se referir ao público alvo logo no começo da oração, o enunciador já traz seus ouvintes para mais perto, se dirigindo quase que intimamente a eles, como uma forma de tornar seus dizeres mais apelativos e, portanto, mais convincentes.


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Apóstrofe