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O que é assíndeto?

O assíndeto, a exemplo do hipérbato é classificado na língua portuguesa como parte das figuras de construção, também categorizadas como sintáticas, pois alteram diretamente a gramática da oração, configurando um novo sentido dentro da sintaxe presente nos períodos onde é aplicado.

Esta figura de linguagem consiste no ocultamento de conjunções coordenativas que deveriam aparecer em determinadas frases ou orações específicas segundo as normas gramaticais do português. Deste modo, as ligações necessárias que por elas seriam exercidas são denotadas por vírgulas ou por simples justaposição ao termo referido.


Exemplos de assíndeto

Tais enunciados ganham um maior grau de complexidade e exigem atenção redobrada por parte do leitor ou interlocutor. Seu uso pode ser bastante útil em dissertações que já apresentaram tais articulações conjuntivas repetidas vezes, evitando um uso massivo das mesmas palavras. Aparece também como uma maneira de conferir rebuscamento ao texto.

Exemplo 1

“(…) as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se.”
– Machado de Assis

O escritor, neste trecho escolhido, se valeu do recurso assindético como uma forma de fortalecer o dinamismo das imagens por ele narradas. Ao vermos os verbos ocorrendo de maneira mais “livre”, aquilo que é contado se torna mais intenso e fluido.

Exemplo 2

“Soltei a pena, Moisés dobrou o jornal, Pimentel roeu as unhas”
– Graciliano Ramos

Torna-se claro, no exemplo acima, que a escolha do autor também foi pautada pela mobilidade que pretendia inserir no enunciado. Ao dizer diretamente “Moisés”, ele faz com que as ações descritas ganhem todas um ar de simultaneidade, enriquecendo a imagem.

Exemplo 3

“Cristina é assim mesmo: come, bebe, vai embora, não dá satisfações.”

O assíndeto neste exemplo cumpre a função de retratar a mobilidade de “Cristina”, bem como a rapidez com a qual ela faz as coisas enunciadas. Além do mais, também é possível depreendermos certa insatisfação do enunciador, devido às explicações rasas geradas pela figura de linguagem.

Exemplo 4

“Vim, vi, venci.”
– Julio César

Esta famosa frase tem todo seu valor calcado na eficência deste recurso linguístico. Ao não usar os conectivos, as orações ganham destaque próprio e exprimem cada uma a sua própria força e grau de importância.

Exemplo 5

“Você quer, compra, tem. Deve pensar, refletir, analisar previamente.”

Os períodos acima não são regidos por coordenações coordenativas com o intuito de retratar a continuidade com que cada uma das coisas é feita, sugerindo, por fim, a necessidade de repensá-las.


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Assíndeto