Alguns detalhes podem ser entendidos e visualizados mesmo que só estejam presentes nas entrelinhas.


O que é elipse?

A elipse está classificada como uma das figuras de sintaxe ou construção, assim como acontece com a anáfora. Este de tipo de recurso linguístico está completamente relacionado à língua escrita, aparecendo com menos frequência na forma oral. Isto se dá pois sua aplicação ocorre diretamente na gramática textual.

Esta figura de linguagem consiste na omissão de algum termo do texto que pode ser facilmente subentendido ou compreendido através de indícios expostos de modo contextual. Este processo pode ocorrer de maneira diversificada, suprimindo a colocação de verbos, conjunções, pronomes e até mesmo preposições, de modo que, seja lá o que não estiver mais explícito na oração, ele poderá ser entendido.


Exemplos de elipse

Sua ocorrência é muito útil para evitar a repetição massiva de uma ou mais palavra, cumprindo a função constante de tornar a redação mais coesa, sem que certos vocábulos apareçam seguidamente.

Exemplo 1

“Sentei na cama, uma dor aguda no peito, o coração desordenado.”
– Antônio Olavo Pereira

No trecho acima, ocorre o ocultamento de dois componentes inerentes ao texto. Antes de “uma”, o escritor poderia ter utilizado a preposição com, ao passo que no próximo período, ele suprimiu o conectivo e. No entanto, o sentido da frase pode ser tranquilamente obtido.

Exemplo 2

“Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas.”
– Rubem Braga

Este exemplo traz uma elipse feita completamente por uma escolha estética do autor, que optou por não evidenciar a preposição de antes de “sandálias coloridas”. A motivação foi pautada pela busca de uma fluência mais contínua no texto.

Exemplo 3

“Abri a janela, um belo sol escaldante reinava a manhã.”

Nesta frase podemos notar o efeito elíptico em dois termos que não seriam demasiadamente importantes para o entendimento do período. Além do verbo vi, há o pronome relativo que também é deixado de fora da construção verbal.

Exemplo 4

“Na sala, apenas quatro ou cinco convidados”
– Machado de Assis

O autor escolheu omitir completamente o verbo haver antes de se referir aos convidados na sala. Entretanto, esta palavra pode ser facilmente subentendida, não causando nenhum problema na interpretação do leitor.

Exemplo 5

“Quantas pessoas ruins no mundo!”

Neste exemplo ocorre algo bastante semelhante ao que se deu no anterior. A diferença, porém, é que a omissão elíptica aqui ocorrida tem o intuito de ressaltar a expressividade daquilo que se exclama, causando um efeito mais impactante no interlocutor.


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Elipse