A ordem das coisas que dizemos tende a ser menos importante do que os conteúdos ali presentes, bem como as informações transmitidas.


O que é hipérbato?

O hipérbato, também conhecido por inversão, é uma figura de construção, assim como a silepse e o polissíndeto, por estar relacionado aos artifícios textuais utilizados para alterar a gramática presente nos enunciados. Desta forma, sua aplicação confere novos sentidos à sintaxe, abrindo novas possibilidades na formulação das frases.

Esta figura de linguagem é tipicamente caracterizada por inverter de forma influente a ordem dos componentes da frase, fazendo com que alguns membros saiam de suas posições mais padronizadas e passem a ocupar um novo espaço na oração.


Exemplos de hipérbato

Seu uso é muito importante dentro da redação de textos literários ou dissertações acadêmicas, já que ele propicia um redirecionamento no texto, colaborando para um método menos repetitivo de escrita. Além do mais, sua ocorrência pode ajudar a destacar um ou outro termo, dando-lhes maior peso dentro do contexto.

Exemplo 1

“Das laranjeiras hão de cair os pomos”
– Alphonsus de Guimaraens

O autor optou por trocar a ordem direta por uma indireta, já que ao invés de dizer “os pomos hão de cair das laranjeiras” ele optou pelo inverso. Sua intenção foi mais estética do que gramatical, pois pretendia tornar a oração mais bela e rebuscada.

Exemplo 2

“Da vida não podemos levar nada, a não ser nossas próprias experiências.”

O exemplo acima também apresenta uma inversão na ordem sintática padrão, que aloca o sujeito antes do predicado. Embora a mudança não seja tão brusca, ela pode ser notada e configura um hipérbato.

Exemplo 3

“Pelos caminhos tortos e incertos passar não me interessa.”

Esta frase também se vale da figura de linguagem, pois cria uma disposição inusitada para os membros do enunciado. A ordenação mais tradicional seria: “Não me interessa passar pelos caminhos tortos e incertos.”

Exemplo 4

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante.”
– Osório Duque Estrada

Este trecho do nosso Hino Nacional apresenta um hipérbato muito clássico e complexo da língua portuguesa; sua dificuldade se torna clara ao tentarmos localizar o sujeito da oração. A ordem direta seria: “ As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico.”

Exemplo 5

“Dos seus problemas nenhum detalhe não quero saber”

A frase acima também conta com uma inversão bem clara, já que normalmente seria escrita com a parte do fim em seu princípio. Sem a interferência da técnica ela seria assim: “Não quero saber nenhum detalhe dos seus problemas”.


Hipérbato no Pinterest


Avaliação média: 4.71
Total de Votos: 7

Hipérbato