Os consensos nem sempre prevalecem e a existência das contradições pode acabar se tornando a explicação mais racional possível.

O que é paradoxo?

O paradoxo, também chamado de oxímoro, é uma figura de linguagem que, assim como a gradação e o eufemismo, é classificado na categoria das figuras de pensamento ou semânticas, pois lida com a influência direta de uma intenção do enunciador. Sendo assim, seu efeito se dá a partir do reconhecimento imediato do quem lê ou escuta.

Esta técnica é baseada na contraposição de ideias e conceitos. Diferentemente da antítese, que aproxima dois polos opostos, os parodoxos opõem uma esfera maior de componentes, traduzindo uma mensagem através de seu contrário.

Exemplos de paradoxo

Ele é considerado por muitos especialistas como um dos mais complexos artifícios da língua, já que sua principal função é dizer uma “verdade” por meio da “mentira”. A ideia carregada por um termo encontra sua expressão exata na contradição absoluta, criando um efeito distinto, que transmite um valor pela sua negação.

Exemplo 1

“É dor que desatina sem doer.”
– Camões

Este trecho de poema configura um claro caso de paradoxo. A dor, de maneira totalmente inexplicável e incompreensível, exprime todo seu sofrimento de um modo não doloroso, sem que fique claro qual é sua real força.

Exemplo 2

“Arranco os olhos e vejo.”
– Carlos Drummond de Andrade

É óbvio que sem os olhos a visão seria impossível, mas, como se não bastasse, o autor ainda causa a sensação de que a capacidade de ver, paradoxalmente, só é obtida e possibilitada pelo gesto de arrancar os olhos. O efeito, neste caso, é também filósifico e questiona a realidade.

Exemplo 3

“De repente do riso fez-se o pranto.”
– Vinícius de Moraes

A contradição, no exemplo acima, se encontra no fato da risada, uma expressão de alegria, dar origem ao pranto, que é relacionado ao choro e à tristeza. Soa estranho, pois é uma imagem difícil de se imaginar, sugerindo que os sentimentos facilmente se misturam.

Exemplo 4

“Eu sou um mentiroso!”

A afirmação é paradoxal por conta daquilo que é nela afirmado. Caso o enunciador esteja mentindo, aquilo que ele está afirmando é plausível e verdadeiro; entretanto, caso fale uma verdade ao afirmar isto, ele pode ser considerado sincero.

Exemplo 5

“É proibido proibir.”
– Caetano Veloso

Esta canção também apresenta um paradoxo clássico, pois ao mesmo tempo em que se proíbe, o objeto alvo da proibição é a própria iniciativa de proibir algo. Ou seja, a mensagem é passada através de sua contrariedade.


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Paradoxo