As repetições ajudam a colocar destaque sobre determinados pontos da informação que está sendo transmitida.


O que é polissíndeto?

O polissíndeto, assim como a zeugma e o hipérbato, é uma figura de construção por estar associada a alterações na ordem gramatical do texto, conferindo novos sentidos a elementos presentes na sintaxe textual. Desta forma, seu uso está relacionado a uma interferência mais concreta e perceptível na lógica do enunciado.

Essa figura de linguagem é, basicamente, um recurso de repetição, pois sua principal função consiste em repetir uma conjunção coordenativa mais do que o necessário previsto pelas normas gramaticais, a fim de colocar ênfase sobre algum aspecto ou marca dentro daquilo que se enuncia.


Exemplos de polissíndeto

A técnica pode ser vista frequentemente na literatura e, principalmente, na poesia, pois ela contribui também no plano sonoro da leitura, adicionando impressões de ininterrupção ou de vertigem. Sendo assim, além de alterar o campo sintático em períodos compostos por coordernação, ele também interfere razoavelmente na sonoridade das imagens e fatos narrados.

Exemplo 1

“(…) e as criadas das burguesinhas ricas, e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.”
– Manuel Bandeira

O autor se vale da repetição de “e” a fim de intensificar a presença de cada um dos elementos que ele pouco a pouco vai adicionando ao enunciado, destacando-os individualmente e também de maneira coletiva.

Exemplo 2

“Carlos, não quero mais viver para você, nem para o trabalho, nem para a casa, nem para as coisas inúteis.”

Neste caso, a intensidade se dá pela sucessão contínuas de motivos ligados à negação sobre a qual se fala. O uso deliberado de da conjunção “nem” reforça todos estes aspectos, dando uma grande impressão de cansaço e desilusão.

Exemplo 3

“Nem glória, nem amores, nem santidade, nem heroísmo.”
– Otto Lara Resende

O exemplo acima explicita bem o uso efetivo do polissíndeto novamente através da palavra “nem”. O escritor, do ponto de vista da gramática, poderia ter escrito de outras formas, mas ao fazê-lo desta maneira, ele causou um resultado distinto, focando na ausência de todas as coisas, gerando assim a sensação um grande vazio.

Exemplo 4

“Eu quero você, mas você não me olha, mas você não fala comigo…mas você parece não saber que existo.”

O enunciador usa a conjunção adversativa “mas” repetidamente a fim de realçar as condições desfavoráveis nas quais se encontra, demonstrando seu pessimismo e sua dor.

Exemplo 5

“Ou me mato, ou me trato, ou me acabo em álcool.”
– Cérebro Eletrônico

O compositor, ao se valer das alternativas propostas pelo “ou”, lista suas saídas possíveis na situação, de modo que nenhuma delas parece realmente tão boa, já que ele se manifesta com indecisão.


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Polissíndeto