A mistura das sensações é algo frequente na humanidade e representa nossa imensa capacidade de abstração.


O que é sinestesia?

 A sinestesia é categorizada como uma figura de palavras ou tropo, assim como acontece com a metáfora e com a metonímia, pois ela colabora na modulação de sentido dos vocábulos a ela relacionados, alterando significativamente a interpretação feita sobre determinada informação no texto.

Esta figura de linguagem ocorre quando duas sensações, sejam elas concretas ou abstratas, interferem diretamente uma no significado da outra, causando uma miscigenação nas ideias e gerando assim um novo significado, totalmente estranho à norma.


Exemplos de sinestesia

Trata-se de um recurso amplamente utilizado na literatura, por permitir uma nova aplicação de percepções sensíveis, despertando no leitor uma maneira distinta de conceber aquilo que está sendo lido. O efeito sinestésico tem como principal função criar uma concepção a respeito de algo inexplicável, que ainda não está presente.

Exemplo 1

“Milagrosa aquela mancha verde e úmida, macia, quase irreal.”
– Augusto Meyer

No trecho acima, é possível notarmos a junção de aspectos visuais com sensações táteis que, juntos, colaboram para a criação de uma nova percepção, que vai se construindo na mente do leitor.

Exemplo 2

“Minha saudade clama pelo cheiro castanho dos teus cabelos.”

Nesta frase diversos adjetivos são utilizados para causar uma sinestesia profunda. O olfato está junto de outras portas da sensibilidade humana, dando contorno a uma imagem rica em significados.

Exemplo 3

“As cores de abril. Os ares de anil.”
– Vincius de Moraes

O compositor misturou alguns componentes concretos, conferindo-lhes novas aplicações metafóricas. Além de colorir “ os ares”, ele também consegue ressignificar
um mês do ano, que é um período de tempo fixo não caracterizável por nenhuma cor.

Exemplo 4

“O brilho dos teus lábios aquece meu peito.”

Diversos pontos são ressaltados e se qualificam a fim de dividir uma experiência absolutamente única e pessoal a partir da perspectiva do enunciador. A especificidade dos sentimentos demonstra este processo.

Exemplo 5

“As falas sentidas, que os olhos falavam.”
– Casimiro de Abreu

O autor une dois sentidos absolutamente diferentes a fim de realçar a expressividade contida no gesto por ele narrado. Dizer que os olhos falavam é uma maneira de retratar a força do momento, bem como a clareza que se deu no momento, repassando esta atmosfera para aquele que lê.


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Sinestesia